COSMOGONIA: Confira entrevista com a banda.

Elas resistem a mais de 20 anos na cena Punk, Cosmogonia é uma banda Punk/Hardcore Feminista, formada em 1993, em Osasco-SP. É uma das bandas pioneiras do Movimento Riot Grrrl no Brasil.

Depois de 12 anos de hiato, em 2017, três integrantes se reencontram e decidem reviver a banda. A formação atual conta com Gabi nos vocais, Maria Esther na guitarra, Dani na bateria e Karol no baixo, mantendo o intuito de transmitir o feminismo e o empoderamento feminino com muita musicalidade.

Batemos um papo com a banda e falamos sobre como foi o começo, a cena underground atual e as barreiras que ainda precisam ser quebradas!

Confiram!


Primeiramente, nos conte um pouco da trajetória da banda, de quem foi a ideia de começar a tocar e qual origem do nome?

A Cosmogonia foi fundada em 1993 pela Elis e a Renata: duas professoras que por já serem feministas e frequentadoras da cena punk rock/hardcore da época, sentiram falta de representatividade nos palcos e decidiram montar uma banda feminista composta por mulheres.

Desde então, a Cosmogonia foi ocupando os espaços e transmitindo a sua mensagem que é a luta por uma vida mais igualitária, inclusiva e justa para todas as pessoas, não importando seu gênero, raça, orientação sexual e condição social.

Entre os anos de 1997 e 2006, gravamos nossa primeira demotape, alguns singles, participamos de coletâneas e tocamos em festivais em São Paulo capital e interior, além de diversos outros Estados.

Entramos em hiato até 2017, quando três ex integrantes se reencontraram e, juntamente com a fundadora, que mora no exterior, decidiram reviver a banda.

O nome Cosmogonia surgiu de uma lista de diversos possíveis nomes.

Cosmogonia significa a união de diversas teorias sobre a formação do universo e como a Elis era historiadora, se identificou e incluiu esse nome na lista.


A banda iniciou suas atividades em 1993. Como era ter uma banda composta apenas por mulheres na década de 90?

Foi bem complicado, assim como sempre é para as mulheres que querem fazer o que os homens acham que só eles podem fazer. Era como se estivéssemos invadindo um espaço que era por direito, apenas e exclusivamente deles.

Muitas pessoas (tanto bandas como público) não aceitavam, se recusavam a tocar junto ou a ir em shows, afinal, era estranho ver mulheres com instrumentos em cima do palco transmitindo suas mensagens, pensamentos e criticando o machismo que sofriam todos os dias.

Nos deparamos com muito preconceito e julgamentos de diversas formas

Então, tínhamos que nos bastar – nós por nós mesmas -.e fomos somando com outras mulheres, produzindo zines, debates, grupos e organizando festivais onde pudéssemos expressar e difundir nossos ideais mais livremente.

Havia também muita dificuldade de recursos financeiros para equipamentos, gravação e também dificuldade de conciliar tudo isso com a vida profissional e pessoal, pois algumas integrantes já eram mães.


Desde que a banda foi formada se passaram mais de 20 anos. Vocês conseguem fazer um balanço geral da carreira e evolução da banda?

Diversas integrantes passaram pela banda em todos esses anos e todas elas plantaram suas sementes e deixaram suas experiências de vida e de resistência, fazendo com que a banda cada vez mais tivesse a chance de que as vozes das mulheres fossem proclamadas e ouvidas.

E a soma de todo esse tempo de estrada e de toda essa diversidade de  mulheres, unidos aos sentimentos de cada uma que passou pela banda, fez e ainda faz com que a gente evolua sempre, tanto como banda mas também como indivíduos.

Aprendemos com o tempo e com a história e acreditamos e buscamos sempre uma evolução musical e ideológica.

Notamos que com toda nossa trajetória, existe um respeito pelo nosso trabalho hoje em dia. Temos sentido bastante nos shows a aproximação de muitas pessoas (tanto homens quanto mulheres), que nos dizer que se sentem representadas por nós e que se identificam com a nossa luta. E algumas até dizem que fizemos parte da sua história no que se diz respeito ao feminismo em si.


Como é processo de criação da banda?

Rola uma sintonia bem legal por parte de todas as integrantes que faz o processo fluir. Todas participam dos processos e têm a chance de dar ideias e opiniões em todos os aspectos e instrumentos.

Geralmente a Teté (guitarrista) chega com riffs e bases e monta com a Karol (baixista) a estrutura. Aí a Ká vai criando a linha de baixo.

Após essa etapa, partimos para o estúdio, apresentamos para a Dani (baterista) que harmoniza a bateria com os demais instrumentos e aí vamos corrigindo os tempos de cada fragmento da composição. encaixando a linha de vocal e backings vocals. Ajustes são feitos à medida que vamos ensaiando pelas primeiras vezes até a versão final.

As letras novas foram escritas pela Gabi (vocalista) e também pela Teté, mas são apresentadas previamente para que todas analisem.

Como vocês veem a cena underground?

Ainda há muita barreira para bandas que estão no underground querendo mostrar seu trabalho, e mais ainda para bandas femininas e feministas. Muito ainda do que se movimenta é graças ao esforço e à correria de várias mulheres envolvidas direta e indiretamente na cena.

No entanto é perceptível que há uma aceitação maior no aspecto de que as mulheres estão ocupando cada vez mais espaços em todos os lugares e consequentemente, na cena underground também.

Hoje temos diversas bandas na ativa com mulheres em suas formações. É uma representatividade muito maior do que antigamente E o acesso também a informação, a maior facilidade de gravação e a forma de divulgação também se ampliaram. Tudo isso abriu um espaço maior para nós.

O próprio feminismo, que vem sendo desmistificado, unido ao empoderamento feminino, temas que têm sido discutidos em diversas esferas, também abriram portas para que as bandas com essas ideias, tivessem oportunidades de estar mais presentes em shows e até em festivais maiores.

Mas ainda há muito o que lutar e conquistar pois diariamente precisamos falar e relembrar que este espaço também é nosso POR DIREITO e não apenas por favor.

Ainda em relação ao cenário nacional/underground, vocês costumam ouvir/ procurar a respeito de bandas da cena independente? Algumas indicações?

Procuramos sempre exaltar trabalhos de mulheres (com uma ou mais mulheres integrando a banda), pois precisamos nos apoiar nessa luta de reconhecimento e difusão dos ideais que também defendemos.

Indicamos que todos conheçam a Rede Colaborativa: União das Mulheres do Underground que possui mais de 400 bandas ativas cadastradas. Bandas de diversos estilos.

Quais os planos da banda para esse segundo semestre de 2018?                            

Continuar levando nossa mensagem e música onde for possível… e o que vier além disso, é pra somar!

E como está a agenda da banda?

Lotada, uma loucura! rs

Felizmente estamos com vários shows marcados: desde festivais maiores até eventos mais focados em bandas feministas.

Deixem uma mensagem para o nossos leitores!! 🙂

Principalmente nesse momento em que vivemos em nosso país, o que precisamos é de UNIÃO.

Se unam, andem em bando, se apoiem, se inspirem, montem suas bandas, se expressem, se respeitem, e nunca, nunca se calem!  Juntas e juntos, sempre seremos mais fortes!


COSMOGONIA NAS MÍDIAS SOCIAIS 

cosmogoniaoficial@gmail.com

 

Por: claudiia_nasc e Bonzo Core

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