Shadowside: Reconhecimento fora do país, excelentes criticas e shows ao lado de grandes nomes.

Shadowside é atualmente uma das bandas brasileiras de maior renome fora do país. A banda que ganhou destaque no cenário mundial logo no início da carreira (lembrando que a banda está na ativa desde 2001) já se apresentou com grandes nomes como: Nightwish, Primal Fear, Helloween, Gamma Ray, W.A.S.P e Iron Maiden. Com seu último lançamento “Inner Monster Out” (2011) a banda mostra sua evolução e amadurecimento, um disco que levou a banda ao topo do metal nacional.

Dani Nolden, vocalista da banda Shadowside cedeu uma entrevista exclusiva ao JacareZine, e falou um pouco sobre o início da carreira, da premiação como melhor vocalista de rock/metal do Brasil, carinho pelos fãs e o sucesso da banda.

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1- Este ano, a Shadowside completa 13 anos de carreira e está no auge, mas quais foram as dificuldades enfrentadas pela banda lá em 2001?

Dani Nolden: Inexperiência, principalmente. Quando você está começando, não tem muita ideia de como as coisas devem ser feitas, não sabe como divulgar o trabalho, não sabe como lidar quando o sucesso começa a chegar, especialmente porque ele sempre vem acompanhado de críticas, algumas construtivas, outras não, porém no início não sabíamos diferenciar uma coisa da outra. O começo foi complicado porque nenhum de nós sabia muito bem o que estava fazendo (risos). Não tínhamos estrutura alguma, fazíamos tudo apenas na vontade. Era divertido, sem sombra de dúvida… o início foi uma época bastante passional da banda, quando éramos um grupo de adolescentes com muitos sonhos, armados de coragem e amor pela música. Éramos bem inocentes tanto como pessoas quanto como músicos. Porém aos poucos fomos aprendendo, profissionalizando a banda, sem deixar de lado essa paixão pelo heavy metal. Acho que toda banda passa pelas mesmas dificuldades. Muitas acabam desistindo sem saber do potencial que elas tem.

 

2- Já em relação a você ser mulher e vocalista da banda, sofreu algum tipo de preconceito? Portas foram fechadas ou abertas por isso?

Dani Nolden: Não sofri preconceitos… e sinceramente, acredito que portas não se abriram nem se fecharam por eu ser mulher. Não faz muita diferença, porque organizadores de show querem bandas que levam fãs aos shows e gravadoras querem bandas que vendem álbuns, e eles não estão nem um pouco interessados se tal banda é formada por homens ou mulheres. E eu também sinceramente acredito que o público também não se importa, o que eles querem é boa música. Existe uma ideia errada de que algumas mulheres também vendem pela aparência, mas eu realmente não acredito nisso. Acho que uma aparência e uma foto interessante podem chamar a atenção em um primeiro momento, mas se a música for ruim, não vai adiantar. A única dificuldade que tivemos no início foi de deixar claro que não éramos uma banda de metal gótico ou sinfônico, pois aparecemos bem na época em que toda banda com vocal feminino queria ser o Nightwish e o mercado ficou um pouco saturado. Hoje já não existe mais esse pré-julgamento de que uma banda com vocal feminino deve ser gótico… pode até ser, mas também existem tantas bandas com mulheres de tantas vertentes diferentes que ninguém mais tenta adivinhar qual é o som de uma banda só porque tem uma mulher na formação.

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3- Em 2002, vocês abriram um show da banda Nightwish. Qual foi a sensação de estar tocando pra tanta gente e ter uma receptividade tão boa no início da carreira?

Dani Nolden: Foi assustador (risos). Estávamos bem no comecinho da banda… foi nosso sexto show! Então você pode imaginar como estávamos aterrorizados (risos). Combinamos entre nós que se tudo desse errado naquela noite, encerraríamos as atividades e começaríamos de novo com outra banda, afinal estávamos no comecinho mesmo e ainda em tempo de começar do zero. (risos) Porém tudo correu tão bem que no final do show, ficamos meio perdidos, porque não esperávamos isso. Nos perguntávamos “e agora? O público gostou… o que fazemos agora?” (risos) Decidimos que se tínhamos algo que havia agradado, que levaríamos isso adiante e buscaríamos o profissionalismo.

 

4- Vocês já tocaram com muitos artistas importantes, mas esta recente tour com Helloween e Gamma Ray pela Europa foi algo bem impactante, principalmente aqui no Brasil. O que você pensa em repetir a dose mais uma vez?

Dani Nolden: Por que não? Seria muito legal! Todas as bandas e equipes se deram muito bem, fomos tratados com extremo respeito o tempo todo, então novamente seria um honra. O público europeu foi fantástico o tempo todo e em vários lugares, grupos de brasileiros apareciam por lá, alguns deles nos seguiam pelos shows na Itália e levaram a bandeira do Brasil. Sem dúvida seria novamente uma tour muito legal, porém eu acharia ainda mais interessante se isso acontecesse aqui no Brasil, onde o público ainda não teve a oportunidade de ver as três bandas juntas.

 

5- No ano passado, você foi eleita pela 3ª vez consecutiva a melhor vocalista de rock/metal do Brasil. Isso em uma votação feita pelos seus próprios fãs, isso mostra que há uma legião de fãs que a admira muito. O que você sentiu ao ganhar essa votação pela 3ª vez? Há uma relação de respeito e até mesmo de carinho entre você e seus fãs?

Dani Nolden: Sim, sem dúvida alguma. Eu sou muito grata a todos os fãs, tanto pelo apoio quanto por todo o carinho que eles sempre demonstram. As pessoas sempre chegam pra conversar com um sorriso enorme no rosto, não tem como não gostar de falar com os fãs quando essas pessoas demonstram tanta felicidade em ver você, em curtir a música que você fez com tanto esforço… isso ilumina o dia de qualquer um! E é por causa dessas pessoas que a banda está onde está… eu não me sinto nem me acho a melhor em coisa alguma, eu vejo essas pesquisas apenas como um reflexo de como os fãs estão envolvidos comigo e com a banda. Eles são o “quinto membro” da banda. Procuramos fazer de tudo para que eles se sintam parte das nossas vidas, do trabalho, já que todos os resultados são graças a eles.

 

6- Pra finalizar, você como frontwoman de uma banda de heavy metal, o que acha do cenário musical independente de hoje em dia? Acha que falta apoio pra essas bandas terem seu espaço e conquistarem fãs?

Dani Nolden: Vou correr o risco de soar polêmica… mas não acho que falta apoio nem espaço. Em alguns casos falta ambição, em outros falta profissionalismo… mas não na música. Muitas vezes a música é simplesmente excelente, porém as bandas esquecem que hoje em dia não existe mais espaço para a inocência. Não há mais como ser apenas músico, tocar todo final de semana e achar que vai ser descoberto por um empresário… e também não há como ser bem-sucedido criticando quem está conquistando seu espaço. Qualquer um que faça um trabalho de qualidade pode conquistar seu espaço… basta analisar friamente o que as outras bandas estão fazendo que está dando certo e ter coragem de colocar a banda na estrada, mesmo sob as piores condições. Já passamos fome e frio no meio de turnês pela Europa por pura falta de verba, mas seguimos em frente mesmo assim. Esse é o segredo para o sucesso, na minha opinião. Talento existe, e de sobra.

 

Agradecimentos: Dani Nolden e The Ultimate Music
Perguntas elaboradas por: Gabriela Oliveira
Texto por: Cláudia Nascimento

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